quinta-feira, 5 de junho de 2008

AUDIÇÃO

Cia Chameckilerner procura 5 dançarinos profissionais para projeto com estréia em outubro/2008.

Ensaios intensivos de 22 de julho a 23 de agosto
Ensaios diários de setembro até estréia no final de outubro.

Salário de aproximadamente R$1.000,00 por mês

Audições sábado, domingo e segunda, dias 21, 22 e se necessário 23 de junho no teatro do HSBC.

Para maiores informações e inscrições, favor falar com:

Leandro Knopfholz:
contato@calvin.com.br


terça-feira, 3 de junho de 2008

Dica de site

Este é um bom site para estudos das artes do corpo japonesa como o butô. http://www.japonartesescenicas.org

Coreografia: gramática da dança - Paulo Paixão*

A nossa proposta para esse espaço é fazer uma breve reflexão sobre aspectos relacionados à idéia de coreografia. Para tanto abordaremos alguns trânsitos associados às práticas e a subjetividades implicadas na emergência e no processo evolutivo de tal idéia. Esperamos que nossos argumentos elaborem um entendimento crítico do ato de criar em dança.

O termo coreografia surge na dança em 1700, na corte de Luiz XIV, para nomear um sistema de signos gráficos, notação da dança, capaz de transpor para o papel o repertorio de movimentos do balé daquela época. Seu criador Raoul Auger Feuillet, mestre de balé, introduziu seu neologismo que literalmente quer dizer a grafia do coro.

O sistema de Feuillet foi um instrumento de reprodução em larga escala das danças criadas pela burguesia francesa. O leitor ciente do mecanismo de “leitura” (tradução dos signos gráficos em movimentos), era capaz de reconstituir as danças realizadas por corpos da nobreza e por ilustres bailarinos da Academia Real de Balé. Como uma máquina de fazer cópias de danças, a coreografia espalhou-se pela Europa sendo traduzida para o inglês, alemão, espanhol, italiano e português. Durante vinte e dois anos Feuillet e seu aluno Dezais publicou cerca de trinta coleções de danças onde em cada uma figurava até cinco danças, estas, somadas a publicações feitas por diversos outros autores, elevam em muito esse número.

A utilização do corpo na dança como elemento retórico(1), um longo processo de codificação de movimentos culminado com a institucionalização de um léxico próprio como base para a criação das danças, a facilidade com que se aprendia o método coreografia e o constante diálogo estabelecido pelo autor com seus leitores, através dos prefácios de seus livros foram alguns elementos e referências presentes naquele ambiente, ofereceram condições propicias para a implementação e sobrevivência desse sistema por mais de um século.

Não se sabe ao certo como aconteceu a mudança no emprego do termo coreografia como sistema de notação para estrutura de organização dos movimentos do corpo no tempo e no espaço, a nossa hipótese é de que como em outros casos, a marca coreografia tenha assumido tamanha popularidade que substituiu o produto Dança(2). Sabe-se, no entanto que foi Serge Lifar quem publicou o Manifesto coreográfico 1935 onde coreografia aparecia em sua nova acepção. Esse manifesto seguiu a lógica de outros manifestos da época em diferentes áreas da arte(3), não trazia uma sistemática de abordagem prática e sim apresentava linhas gerais, nas quais a arte da dança deveria se pautar.

Seguindo o percurso dos trânsitos da idéia de coreografia, em 1959 Doris Humphrey publica A arte de criar danças, onde sintetiza um pensamento comum entre os artistas de sua época elaborando um manual pedagógico para os criadores de danças (coreógrafos) focalizando a escolha das linhas eficazes, o desenho correto, a qualidade de reconhecer imagens para uma composição harmoniosa, sempre associando tais linhas e imagens com conteúdos expressivos. Em 1971 a publicação de Approaches to nonliteral choreography de Margery J. Truner faz um outro recorte de procedimento, ampliando bastante a discussão em torno da questão, apontando para aspectos como a exploração da gama de expressividade cinética diferente das acionadas nas atividades cotidianas ou dando a estas novas funções, apresentando novos elementos para a análise do movimento como textura e qualidades. Atualmente alguns críticos de dança sustentam a posição de que em se tratando do trabalho realizado por um grupo de artistas da cena européia, não se pode falar de coreografia(4), tais afirmativas usam como argumento as diferenças radicais no modo como eles organizam a cena.

Nos aspectos ressaltados nesse rápido painel evolutivo da idéia de coreografia reincide o entendimento dela como um modelo dado, fixo, e principalmente reproduzível. No nosso entender coreografia é um fenômeno emergente dos processos de comunicação do corpo, uma forma especializada do modo de fazer dança e está sempre em evolução, pois assim como a dança, a coreografia também entra em um fluxo de especialização para garantir a sua permanência se adaptando às novas exigências estabelecidas no acordo entre seus modos de organização e o ambiente, fortalecendo o sistema que a criou, a dança. Por isso, mesmo em se tratando de dança contemporânea pode se falar de coreografia.

Observamos que na arte de tempos em tempos estabilizam-se modos operativos que geram padrões estéticos e reflete o pensamento dos artistas de uma época. A estas metaestabilidades, pensamentos operacionalizados, costumam ser chamados de “estilos” que na dança tem sido normalmente caracterizado pela utilização de determinado vocabulário de movimento ou forma de abordagem espacial, o que difere bastante da abordagem desse grupo de novos criadores da dança. As relações estabelecidas em suas obras giram em torno de uma idéia central construída por muitas conexões, em diferentes níveis, além disso, a concepção de corpo e contexto singular, compartilhadas por muitos deles, fazem de cada obra uma atividade pertinente ao corpo e ou contexto pelos quais foi criada. Muito embora não tenham sido os primeiros a utilizarem essa estratégia(5), constatamos que em seus trabalhos tal característica encontra-se em um outro estágio de elaboração.

Coreografia na contemporaneidade pode ser entendida como a estrutura de conexões entre diferentes estados corporais(6) que figuram em uma dança e dela faz emergir seus nexos de sentidos. Ela é quem regula as relações entre os elementos de uma dança, portanto regula a média de informação veiculada(7) atuando como uma gramática. Toda a sintática de um corpo em movimento no ambiente onde dança sofre uma restrição em relação ao total de suas possibilidades expressivas a fim de possibilitar fluxos semânticos e é a coreografia quem legisla sobre estas restrições. Coreografia pode ser entendida como escrita da dança na medida em que ela é quem permite que a dança seja descrita.

Não é a época em que foi criada que determina a identidade da dança e sim o pensamento que ela articula, nem tão pouco a reprodução de movimentos referenciada no repertório de artistas contemporâneos que vai conceder o status de contemporânea a uma dança, é a capacidade de articular um pensamento do contexto, no corpo dos dançarinos em alto grau de complexidade.

(1)Para um melhor entendimento sobre essa questão ver Dance as text, Mark Franko 1993.

(2)Supomos que tenha ocorrido algo parecido com o fenômeno que acontece com marcas muito populares de esponja de aço, ou alvejante, por exemplo, que entre os consumidores passam a assumir a identidade do produto.

(3)Manifesto futurista em 1910 e o Manifesto Dadá em 1912.

(4)Um bom exemplo desta posição é a do crítico de dança Gerald Siegmund em eu artigo L’absence 2002. Alguns dos mais importantes nomes dessa geração são: Jérôme Bel, Xavier Lê Roy, Boris Charmatz etc.

(5)Referências desse tipo de abordagem é encontrada, por exemplo, no fazer de criadores da Judson Church durante a década de sessenta e setenta.

(6)Para um esclarecimento maior sobre esse conceito ver O erro de Descartes, António Damásio 1994 .

(7)Jorge Albuquerque Vieira nos dá uma boa definição desse termo em Organização e sistemas 1996.


Paulo Paixão* é doutorando do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP e Professor da Escola de Teatro e Dança da UFPA

sexta-feira, 23 de maio de 2008

RETORNO DO SAGRADO






by Thamy Baij








Na contemporaneidade, o homem enquanto indivíduo, é cada vez mais levado a pensar de forma sistêmica e pragmática. Tal abordagem racionalista de mundo, o faz objetivo, separatista e afastado. A espiritualidade é aos poucos abafada, e o sagrado excluído. A desacralização gera um mundo sem significado.
As teorias adentram no paradigma da recuperação da visão da totalidade, que é espiritual. É o retorno da visão sagra
da.
Num mundo onde se fala tanto sobre corpo – unidade, sobre a completude do homem, onde tudo é interligado, é pertinente adentrar no tema, para que se gere o pensamento de integração, de retorno à espiritualidade, pelo qual, o homem atuará no mundo de forma mais completa e reformulada.
Mas, que razões levaram o homem contemporâneo a se distanciar da espiritualidade, e que conseqüências são geradas a partir dessa distância?
O homem sempre viveu num mundo dividido e que se desenvolve ligeiramente. A forma que assumiu esse desenvolvimento, levou a um distanciamento do natural e uma perda da conexão com as fontes espirituais, julgadas inúteis ou secundárias dentro desse contexto.
A espiritualidade pode ter sido perdida, devido à abordagem racionalista, que tem como finalidade conhecer e dominar informações do mundo contemporâneo, ou até mesmo, devido à influência do pensamento cartesiano, que estabelece que o verdadeiro conhecimento provém do que pode ser medido e quantificado, indo de encontro com a impossibilidade de se mensurar algo espiritual.
Entenda-se, espiritualidade não é religiosidade. Espiritualidade tem haver em “ser pleno”.
Estar “pleno”.
“Estar”.

A bela Adormecida - Gênise do Balé


LEANDRO AUGUSTO PETERSEN VIEIRA


"Quando o balé de Tchaikovsky A Bela Adormecida foi representado, o público adorou.
Dizem que, na época, os petersburgueses não se cumprimentavam com um "bom dia", mas sim saudavam-se dizendo: já viu A Bela Adormecida?"


Baseada num conto de Charles Perrault, bem ao estilo francês do século XVIII, “A Bela Adormecida” está construída para grandes espectáculos, exigindo uma numerosa e muito bem treinada companhia composta de corpo de baile, solistas e principais bailarinos de alta escola para a interpretarem dentro das verdadeiras normas técnicas e estilísticas do bailado clássico. Estreada em S. Petersburgo, a 3 de Janeiro de 1890, nunca deixou de estar presente nos programas das grandes companhias, tendo sempre como base a coreografia original de Marius Petipa, embora com versões diferenciadas. A relação da música de Tchaikovsky com a coreografia de Petipa é de tal forma perfeita que seria difícil imaginar outra leitura da partitura com outro movimento que não aquele que em conjunto fizeram com que esta obra fosse considerada a “catedral da dança clássica”. “A Bela Adormecida” marca o primeiro encontro entre Petipa e Tchaikovsky. Durante os treze anos que decorreram após a estreia de “La Bayadère”, o ballet russo foi o único guardião das tradições do academismo e revelou-se como centro mundial do seu desenvolvimento, do seu enriquecimento e da sua produtividade continuada. A primeira ideia de realizar “A Bela Adormecida” é de Vsevolojsky, director do Ballet Imperial, admirador da arte francesa do século de ouro do Rei Sol. Ele anuncia as tendências futuras do Ballet de Diaghliey, onde se nota esta mesma curiosidade pela arte francesa do século XVIII. Assim, cada um dos quatro actos, como movimentos de uma sinfonia, contém a sua própria coerência formal com uma existência autónoma. No entanto, não se pode apreciar o seu autêntico valor senão na relação entre as quatro partes. Mesmo retirando todo o envolvimento teatral da obra, “A Bela Adormecida”, na sua arquitectura musical e coreográfica, é considerada o exemplo mais puro do bailado clássico como património universal.

A Bela Adormecida, sem dúvida, foi a grande obra que marcou o apogeu da Rússia dos Czares, além de ser o grande sucesso de Tchaikovsky em vida (O Lago dos Cisnes parece ter superado A Bela Adormecida em sucesso, mas isso aconteceu somente depois da morte do compositor). A ambientação da obra, em castelos reais, com personagens grandiosos e fantásticos, marca a força da Rússia na época. A produção da obra foi feita em conjunto pelo coreógrafo, figurinista e o compositor, por isso o resultado é uma integração tão perfeita entre os três elementos. São características especiais da obra as variações muito ricas em técnica, especialmente a da Fada Lilás, que Petipa construiu para sua filha, Marie Mariusovna Petipa. Outra curiosidade é que a fada do mal, Carabosse, costuma ser apresentada por um homem, provavelmente para ficar mais grosseira e pesada. A grandeza da obra fez com que três dos seus Grand Pas-de-Deux se tornassem independentes, sendo apresentados por grandes bailarinos de todo o mundo em espetáculos de gala, sem o resto do ballet.
Entrem no Youtube e dêem uma olhada!
O alfabeto fotografado...

é só digitar: Anthon Beeke Alphabet Ed van der Elsken Photography

Beijos Ju

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Desabafo!!

O quarto ano de dança é o mais estressante...tenham certeza disso...a gente mal aparece na FAP, mas quando lá entramos, bum, mais uma bomba...
Acho hilário como os professores nos tratam como se estivéssemos chegando na cidade este ano e nada tivéssemos para fazer. Alô!! Não temos todo o dia livre!! Passaram 3 anos, será que eles não percebem que todo mundo já está meio encaminhado ou pelo menos fazendo bicos para poder ganhar dinheiro, para pagar as inúmeras fotocópias, os livros, os ônibus, inclusive muitas vezes são gastos em vão quando chegamos lá e surge uma reunião e cancelam as aulas...pior ainda é lidar com professores que não vão e nem avisam! Ou então, querem pesquisas mirabolantes achando que só estamos na faculdade fazendo a matéria deles... É...nós chegamos no quarto ano mas passamos por cada uma...quem lembra do ratão saindo de dentro da cantina? Do cheiro do banheiro entupido da honjo, do pó de 2 centímetros do chão da honjo, do frio congelante do Ballet as 7:30 da manhã, das aulas (que aulas?) de "moderno" do segundo ano, (iapapa, iapapa,iapapa) ...mas seguimos firmes, ao som de "Dont worry, be happy"...
Mas o mais revoltante, para mim, é quando o discurso não corresponde com o fato, já discutimos muito com professores que falam uma coisa , mas fazem outra, falam de processo, mas nos avaliam pelo resultado, falam de qualidade, mas avaliam a quantidade..."escrevam o seu entendimento..." Ah pára, balela, na hora da prova, pedia exatamente as palavras do autor entre aspas!! É minha gente, fica difícil continuar, e é por isso que muitos dos nosso nos deixaram...e mais o povo deste ano que desiste da Licenciatura , pois perder um ano de sua vida e correr o risco de perder o trabalho de sua vida por causa dos estágios não é moleza! São escolhas muito sérias que devem ser respeitadas!
Falando nisso, na maioria das vezes também não sinto que nossas escolhas são respeitadas, nossas faltas não são respeitadas, mas nós sabemos que muitas vezes não faltamos porque estamos dormindo, mas sim resolvendo questões que julgamos sérias nas nossas vidas, ou ficamos ensaiando até de madrugada (sim, muitos de nós dançam!) e ora bolas, temos o direito de faltar!! 25% , tem professor que não sabe lidar com isso!! Particularmente também não me sinto respeitada pelos professores por eu não falar muito em sala, não expor o que penso ou o que achei de determinado texto...mas, dá licença? É uma escolha, eu não sinto necessidade de questionar, de impor, ou discutir, sim, eu discordo as vezes, mas não me sinto com vontade de falar, e não me julgo não participativa por isso, desde quando ouvir não é participar? Desde quando observar não é participar? Muitas vezes o que eu talvez poderia falar já foi dito, por que serei repetitiva? Têm pessoas que gostam, se sentem bem, outras não, por favor, respeitem isso e considerem como participação o que vejo, ouço, leio, enfim, o que vivo lá dentro e não o que digo ou deixo de dizer.
Hoje é um feriado, nem sei se isso vale como postagem, nem farei uma revisão para ver se tem algum erro no meu português, só me deu vontade de desabafar com vocês. Temos que ter consciência de que não está sendo saudável, que estamos nos estressando demais por problemas que não são nossos, e isto esta causando atritos e discussões entre nosso colegas...vamos tentar ver o lado bom de tudo...é difícil, mas vou tentar, tentem também, pensar no diploma talvez, ou no vestido da formatura :) , ou quem sabe a chance de entrar no mercado de trabalho com um passo a frente daqueles que não têm curso superior...é...há coisas boas...o nosso baile de formatura...o alívio que será no fim...o orgulho dos nossos pais...o nosso próprio orgulho, de saber que não é fácil , mas...em qualquer outro lugar não seria muito diferente! E me perguntem se eu faria outra faculdade? Veterinária? Direito? Publicidade? Bah...pior que não!! :P Bom feriadão a todos! Carolzinha!!