domingo, 15 de junho de 2008
OP1
Entrem no youtube.com e busquem por: OP1 rumos-itau cultural ...
É um trabalho apresentado no Rumos ano passado e que dialóga bastante com o que pretendo desenvolver no meu, porém eles trabalham mais com iluminação do que eu pretendo e claro, eles tinham grana para desenvolver a pesquisa...
Vale a pena dar uma olhada..
Beijocas
Ju Lorenzi
terça-feira, 10 de junho de 2008
Corpo, único que Dança
É através das percepções pessoais que o corpo adquire vocabulário para transformar em movimento suas indagações, inquietudes, sentimentos, emoções etc. Segundo Vianna, “a vida, o mundo e o homem manifestam-se através do movimento” (Vianna, 1990, p.13). Com o vocabulário que o corpo adquire ao longo de suas percepções ele compreende e entende a si mesmo e o ambiente em que está inserido. É através deste corpo que as informações penetram no indivíduo e é por este corpo que o indivíduo se relaciona com o ambiente. Há nessa relação uma constante troca, então, sempre que o corpo se movimentar em dança ele estará colocando informações no ambiente que, com isso se modificará e reverberará mudança na organização do próprio corpo que dialogou com o espaço (ambiente).
A dança pode ser compreendida como um ambiente constituído a partir das diferentes relações e percepções de processos que o corpo como agente deste ambiente propõem. Sabendo-se que cada corpo sofre diferentes influências, possui diferentes potencialidades tanto físicas quanto psíquicas e teve um amadurecimento corporal único, é possível imaginar que o corpo será sempre único em sua dança e em sua organização corporal. Para descobrir este corpo que transforma a dança em comunicação e permite transformação de ambiente, é necessário que o homem conheça o vocabulário que lhe é próprio, podendo assim, dialogar com o espaço que o cerca. Um dos instrumentos para esta descoberta é a escuta deste corpo e seus movimentos. Para que haja esta descoberta de corpo é preciso que nos desvencilhemos de qualquer artifício que não seja natural do corpo, como por exemplo, técnicas que codificam o corpo não o tratando como único e deixando suas características próprias de lado. Para Vianna é a dança que consegue exprimir os sentimentos do homem, ela é uma reflexão sobre o homem (Vianna, 1990, 11). É a dança investigativa do corpo que através de seus movimentos expressa a emoção do homem e não uma técnica com formas padrões de movimento que desconhece a unicidade do indivíduo.
Nesse sentido é importante salientar que cada indivíduo é único. Todos possuem características físicas, sociais e psicológicas diferentes. Desta forma, a percepção das experiências da vida de um indivíduo é sempre singular. Sendo assim, a movimentação efetuada por cada corpo resultará em um modo único de expressão na arte da dança, uma vez que tal expressão, na verdade, constitui-se de um reflexo de tudo aquilo que naquele corpo foi experenciado. Nesse sentido, Vianna coloca que:
“O corpo humano permite uma variedade infinita de movimentos que brotam de impulsos interiores e se exteriorizam através do gesto, compondo uma relação íntima com o ritmo, espaço, o desenho das emoções, dos sentimentos e das intenções. Mas, se a dança é um modo de existir, cada um de nós possui a sua dança e o seu movimento original, singular e diferenciado e é a partir daí que essa dança e esse movimento evoluem para uma forma de expressão em que a busca da individualidade possa ser entendida pela coletividade humana.”(Vianna, 1990, p.88).
Segundo Mendes, “Dança é basicamente movimento, movimento e gestos.”(Mendes, 2001, p.6). Além disso, na concepção de Gualberto, para que a dança seja arte é necessário que haja uma intenção em seus movimentos, uma inquietação, uma conscientização do que é feito (Gualberto, 2004). Todo o movimento do homem pode ser dança se organizado como uma forma de "fala" e expressão. Dança é comunicação, é troca de informação, é “uma arte profundamente simbólica capaz de sugerir, ilimitadamente, imagens e associações cheias de riqueza e vitalidade, dada a natureza de sua forma de comunicação, não racional.”(Mendes, 2001, p.10). Da mesma forma que a Dança não possui uma forma, o corpo que a executa não precisa seguir uma técnica pronta em formas de execução, totalmente codificada, para a expressão em Dança. O corpo precisa “falar” apenas e tão somente da maneira que melhor demonstre seus conceito e sua experiências o que ele pensa.
A dança sempre foi utilizada pelo corpo como forma de arte e desabafo, ela é a arte “mais capaz de exprimir tanto as fortes quanto simples emoções sem o auxílio da palavra”(Mendes, 2001, p.10). Não que na dança apenas expressemos sentimentos, mas ela é a forma que o corpo tem de com ele próprio se comunicar e tornar visível uma idéia.
A possibilidade de termos uma maneira própria e por isso única de expressam com dança que me instiga, não quero conceitos prontos de formas estéticas específicas, busco com meus dançarinos a maneira natural que cada um encontra dançar. Dentro desse dançar, preciso e acredito que seja necessário romper com o que compreendo como Belo para não colocá-lo como ponto de seleção de formas, pois o que realmente tem que ser transmitido é o movimento natural de cada corpo único, para assim atingirmos o Movimento Genuíno.
Para que os corpos se sintam livres para suas investigações corporais, é preciso antes reconhecer que “harmonia não está relacionada ao“Belo”, mas ao invisível contido no visível” (Apud, REIS, 2003, p. 131). A harmonia se dá na verdade do que é mostrado, na concordância que existe entre o interno e o externo do corpo. A representação dessa verdade do movimento não existe se for apenas uma seqüência de passos sem significado para o corpo que o executa. Aqui não condeno as técnicas de dança com formas estéticas pré-formatadas, apenas em meu trabalho, busco encontrar o movimento que flui do corpo sem a necessidade de formas vindas de fora. Tenho uma grande bagagem de dança clássica em relação à dança contemporânea, com isso para mim é um exercício encontrar a movimentação natural do meu corpo e principalmente passar essa informação sem contaminá-la com formas fixas para meus dançarinos que por mais que não tenham formação em dança, são observadores dessa arte e a compreendem como apenas sendo detentora de formas fixas, claras e belas. É nesse lugar de descoberta de corpo deles e meu que me encontro hoje...
segunda-feira, 9 de junho de 2008
O que somos?Quem somos?Aonde estamos?---------------Ana Carolina Tannús
Atualmente, nossos corpos são disciplinados, modelados e rearranjados pelo poder dominante, “a mídia”, os quais criam uma ilusão de pessoas livres, de construir seu próprio corpo.
Padronizar movimentos não é somente comum em um código específico como ballet, mas também no contemporâneo, encontramos uma série de movimentos comuns, caindo num modismo, ou seja, “civilização do clichê” o qual se dá de uma formulação interior de cada corpo, a partir de seu gesto próprio, “o próprio corpo é o próprio movimento” (PRIMO).
Observar, reparar, colecionar detalhes ou mesmo sinais, coisas suas como: roupas, carro, frases da moda é a construção de um corpo, o qual faz parte de um quartel, somos em grande símbolo “estrangeiro residente”, fazemos parte de “uma realidade mesquinha, não posso ser nativo nem naturalizado”. (Fé e Veneno)
Nosso corpo simplesmente existe, é uma propriedade nossa ou da mídia, será que ele perdeu a identidade corporal. (SACKS)
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Caos em cena?!
Principiando pela Teoria do caos minha pesquisa tem como funcao propor procedimentos e/ou elementos a determinados bailarinos para ser assim desenvolvido neles uma maneira de percepçâo e improvisacao na dança contemporanea(por enquanto!).
Sim, a teoria do caos é muito complexa para se " aplicar a dança",mas foi pensando nisso que selecionei dela tres principios basicos,os quais se fazem formas de organizacao do caos, para serem justamente esses elementos quais os bailarinos se submeterao: nao-linearidade, desencadeamento de acontecimentos/movimentos e acaso.
Inverso a maioria dos dicionarios de portugues o caos nao se faz somente de desorganizaçâo e confusao.O caos sendo ele uma forma de organizacao de um Sistema aberto, ou seja, recebe influencias do ambiente o qual faz parte,tem ainda uma estrutura e elementos para que eles se organizem a fim de nao deixa-lo acabar.Note voce que eu disse "organizacao" e nao "ordem" que se faz bem diferente da anterior e se assim fosse deixaria ele de ser uma nao linearidade constante,uma de suas caracteristicas/ elementos.
Explicada essa diferenciacao, meu trabalho prático se constitui(até o presente momento!) de um dueto onde ambos os bailarinos serao submetidos a uma estrutura (organizacao) a qual deverao seguir livremente,sem nenhuma ordem pré estabelecida, se utilizando portando de vontades proprias e celulas coreograficas desenvolvidas a partir do principio: desencadeamento de acontecimentos/movimentos.
É importante ressaltar ainda que essa mostragem cenica provavelmente terá um começo e um final por uma necessidade, nao fazendo parte essa norma e linearidade de minha pesquisa, pois ja se sabe que, pela nao linearidade do caos, este mesmo se faz " incomeçavel" e "interminavel".
Sendo assim a musica se faz ainda demasiada indeterminada,já que uma musica fractal, a qual teria coerencia incluir na apresentacao cenica, devivada dos fractais da teoria do caos,se faz bem inauditivel e ate mesmo prejudicial se ouvida por muito tempo.Portanto existem algumas possibilidades que estarei testando e discutindo com minha orientadora a fim de uma melhor solucao.
Apesar de complexo essa teoria em si para quem quiser ter uma breve ideia em relacao ao que gostaria de por em cena, a principio sugiro que pense em um grande circulo o qual se faz de varios elementos que se relacionam entre si em desordem,fazem trocas e brincam com influencias do ambiente em que estao.
É isso, e quem se interessar pelo assunto, sentir vontade ou só quiser auxiliar é só me procurar!
Por Daiane S. Camargo
Obs: é apenas inicio de processo, sujeito a alteracoes.
AUDIÇÃO
Cia Chameckilerner procura 5 dançarinos profissionais para projeto com estréia em outubro/2008.
Ensaios intensivos de 22 de julho a 23 de agosto
Ensaios diários de setembro até estréia no final de outubro.
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Audições sábado, domingo e segunda, dias 21, 22 e se necessário 23 de junho no teatro do HSBC.
Para maiores informações e inscrições, favor falar com:
Leandro Knopfholz: contato@calvin.com.br
terça-feira, 3 de junho de 2008
Dica de site
Coreografia: gramática da dança - Paulo Paixão*
A nossa proposta para esse espaço é fazer uma breve reflexão sobre aspectos relacionados à idéia de coreografia. Para tanto abordaremos alguns trânsitos associados às práticas e a subjetividades implicadas na emergência e no processo evolutivo de tal idéia. Esperamos que nossos argumentos elaborem um entendimento crítico do ato de criar em dança.
O termo coreografia surge na dança em 1700, na corte de Luiz XIV, para nomear um sistema de signos gráficos, notação da dança, capaz de transpor para o papel o repertorio de movimentos do balé daquela época. Seu criador Raoul Auger Feuillet, mestre de balé, introduziu seu neologismo que literalmente quer dizer a grafia do coro.
O sistema de Feuillet foi um instrumento de reprodução em larga escala das danças criadas pela burguesia francesa. O leitor ciente do mecanismo de “leitura” (tradução dos signos gráficos em movimentos), era capaz de reconstituir as danças realizadas por corpos da nobreza e por ilustres bailarinos da Academia Real de Balé. Como uma máquina de fazer cópias de danças, a coreografia espalhou-se pela Europa sendo traduzida para o inglês, alemão, espanhol, italiano e português. Durante vinte e dois anos Feuillet e seu aluno Dezais publicou cerca de trinta coleções de danças onde em cada uma figurava até cinco danças, estas, somadas a publicações feitas por diversos outros autores, elevam em muito esse número.
A utilização do corpo na dança como elemento retórico(1), um longo processo de codificação de movimentos culminado com a institucionalização de um léxico próprio como base para a criação das danças, a facilidade com que se aprendia o método coreografia e o constante diálogo estabelecido pelo autor com seus leitores, através dos prefácios de seus livros foram alguns elementos e referências presentes naquele ambiente, ofereceram condições propicias para a implementação e sobrevivência desse sistema por mais de um século.
Não se sabe ao certo como aconteceu a mudança no emprego do termo coreografia como sistema de notação para estrutura de organização dos movimentos do corpo no tempo e no espaço, a nossa hipótese é de que como em outros casos, a marca coreografia tenha assumido tamanha popularidade que substituiu o produto Dança(2). Sabe-se, no entanto que foi Serge Lifar quem publicou o Manifesto coreográfico 1935 onde coreografia aparecia em sua nova acepção. Esse manifesto seguiu a lógica de outros manifestos da época em diferentes áreas da arte(3), não trazia uma sistemática de abordagem prática e sim apresentava linhas gerais, nas quais a arte da dança deveria se pautar.
Seguindo o percurso dos trânsitos da idéia de coreografia, em 1959 Doris Humphrey publica A arte de criar danças, onde sintetiza um pensamento comum entre os artistas de sua época elaborando um manual pedagógico para os criadores de danças (coreógrafos) focalizando a escolha das linhas eficazes, o desenho correto, a qualidade de reconhecer imagens para uma composição harmoniosa, sempre associando tais linhas e imagens com conteúdos expressivos. Em
Nos aspectos ressaltados nesse rápido painel evolutivo da idéia de coreografia reincide o entendimento dela como um modelo dado, fixo, e principalmente reproduzível. No nosso entender coreografia é um fenômeno emergente dos processos de comunicação do corpo, uma forma especializada do modo de fazer dança e está sempre em evolução, pois assim como a dança, a coreografia também entra em um fluxo de especialização para garantir a sua permanência se adaptando às novas exigências estabelecidas no acordo entre seus modos de organização e o ambiente, fortalecendo o sistema que a criou, a dança. Por isso, mesmo em se tratando de dança contemporânea pode se falar de coreografia.
Observamos que na arte de tempos em tempos estabilizam-se modos operativos que geram padrões estéticos e reflete o pensamento dos artistas de uma época. A estas metaestabilidades, pensamentos operacionalizados, costumam ser chamados de “estilos” que na dança tem sido normalmente caracterizado pela utilização de determinado vocabulário de movimento ou forma de abordagem espacial, o que difere bastante da abordagem desse grupo de novos criadores da dança. As relações estabelecidas em suas obras giram em torno de uma idéia central construída por muitas conexões, em diferentes níveis, além disso, a concepção de corpo e contexto singular, compartilhadas por muitos deles, fazem de cada obra uma atividade pertinente ao corpo e ou contexto pelos quais foi criada. Muito embora não tenham sido os primeiros a utilizarem essa estratégia(5), constatamos que em seus trabalhos tal característica encontra-se em um outro estágio de elaboração.
Coreografia na contemporaneidade pode ser entendida como a estrutura de conexões entre diferentes estados corporais(6) que figuram em uma dança e dela faz emergir seus nexos de sentidos. Ela é quem regula as relações entre os elementos de uma dança, portanto regula a média de informação veiculada(7) atuando como uma gramática. Toda a sintática de um corpo em movimento no ambiente onde dança sofre uma restrição em relação ao total de suas possibilidades expressivas a fim de possibilitar fluxos semânticos e é a coreografia quem legisla sobre estas restrições. Coreografia pode ser entendida como escrita da dança na medida em que ela é quem permite que a dança seja descrita.
Não é a época em que foi criada que determina a identidade da dança e sim o pensamento que ela articula, nem tão pouco a reprodução de movimentos referenciada no repertório de artistas contemporâneos que vai conceder o status de contemporânea a uma dança, é a capacidade de articular um pensamento do contexto, no corpo dos dançarinos em alto grau de complexidade.
(1)Para um melhor entendimento sobre essa questão ver Dance as text, Mark Franko 1993.
(2)Supomos que tenha ocorrido algo parecido com o fenômeno que acontece com marcas muito populares de esponja de aço, ou alvejante, por exemplo, que entre os consumidores passam a assumir a identidade do produto.
(3)Manifesto futurista em 1910 e o Manifesto Dadá em 1912.
(4)Um bom exemplo desta posição é a do crítico de dança Gerald Siegmund em eu artigo L’absence 2002. Alguns dos mais importantes nomes dessa geração são: Jérôme Bel, Xavier
(5)Referências desse tipo de abordagem é encontrada, por exemplo, no fazer de criadores da Judson Church durante a década de sessenta e setenta.
(6)Para um esclarecimento maior sobre esse conceito ver O erro de Descartes, António Damásio 1994 .
(7)Jorge Albuquerque Vieira nos dá uma boa definição desse termo em Organização e sistemas 1996.
Paulo Paixão* é doutorando do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP e Professor da Escola de Teatro e Dança da UFPA
